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Sábado, Novembro 27, 2004
Oitavo Ato - Camilot´s
Por mais que já tenha um ano e meio de existência, a Camilot's só atingiu seu formato atual há uns quatro meses. A primeira apresentação do grupo com Maurício, Luku, Teca e Max, respectivamente, vocal, guitarra, baixo e bateria, aconteceu no dia primeiro de agosto, com a estréia do atual vocalista.
CE: Como foi essa estréia, Maurício?
Mauricio: Cara... foi uma mistura de muita coisa. Eu estava nervoso pois não sabia todas as letras, cantei com letra na mão. Estava preocupado porque não queria fazer feio. A Camilot's já era uma banda formada e com certo nome e, além disso, Daniel (Típico, baixo e vocal no Fuzzly) estava lá e o cara é meu amigo. Eu estava preocupado com como ele iria ficar... foi muita coisa mesmo.
CE: Luku, qual era a formação da banda antes e qual é agora?
Luku: A 1ª formação tinha dois vocalistas: Lucas e Daniel; o Rafael (bateria no Fuzzly) estava na bateria e o Max ainda não tinha entrado. Aí o Lucas saiu e ficamos eu, Teca, Daniel e Rafael. Depois, entrou o Max pra tocar guitarra, ele fez apenas uma apresentação. Mas quando o Rafael e o Daniel saíram, ele passou pra bateria e a gente chamou o Maurício pra cantar.
CE: Luku, como você compararia o que é Camilot's hoje - você, a Teca, o Max e o Maurício - com o que era antes?
Luku: Tão boa quanto...
A Camilot's encontra-se numa boa fase agora, uma fase de mudanças que será coroada com o lançamento da primeira gravação da banda no Oitavo Ato. Assim, é curioso que Luku fique meio indiferente a essas mudanças. De qualquer forma, ele admite um amadurecimento do grupo após as gravações.
CE: Falemos do CD. Informações básicas: quanto custa? quantas faixas? e o que o pessoal vai encontrar nele?
Luku: O CD terá 5 faixas: Camilots Go, Lets Rock, Replaced, Saloon e Rockabilly Girl. Será vendido a 5 reais no dia do lançamento e posteriormente a 7. Quem comprar encontrará várias surpresas, desde o visual até a qualidade da gravação. Sem esquecer, quem comprar o CD no dia 27 vai ganhar um adesivo da banda. As cópias serão lançadas em mini CD, gravadas na Cadillac Records.
Vai querer comprar um ? (risos)
CE: Quem compõe as músicas do Camilots?
Mauricio: Quem responde?
Luku: Todos, geralmente. Uma colcha de retalhos. Cada um faz uma parte.
Mauricio: Um chega com a letra, o outro com a música. E, quando um tem uma música, pede para alguém fazer uma letra. Depois disso, cada um vai colocando um pouco de si durante a criação dos arranjos.
É por aí... Rockabilly Girl foi a única música gravada nesse CD composta com essa nova formação.
CE: Então, não há uma diferença marcante entre as composições de antes e as de agora?
Luku: Não, porque todos da banda têm praticamente o mesmo gosto musical, tanto os (membros) anteriores quanto os atuais.
Mauricio: Eu diria que, marcante, não...
CE: As canções são sempre em inglês?
Mauricio: Até agora, sim. Mas estamos trabalhando numa letra em português. O rockabilly nacional é, no meu ponto de vista, muito influenciado pelo iê-iê-iê. É difícil não parecer piegas.
O lançamento do CD não é algo marcante apenas para a Camilot's. Tal evento marca a primeira grande realização da Cadillac Records.
CE: Luku, fale-me da Cadillac.
Luku: Começou há aproximadamente um ano quando, por curiosidade, comecei a pesquisar sobre programas de gravação. Minha primeira experiência com gravação foi com a banda Fuzzly. Gravamos a bateria e o vocal no estúdio 312 mas o restante da gravação e a mixagem foram feitos aqui. Agora, conseguimos adquirir alguns equipamentos, microfones e amplificadores, mas nada muito profissional. Decidimos fazer a gravação inteira da Camilot's aqui. Totalmente independente. Essa é a idéia da Cadillac: independência.
Ficamos bastante satisfeitos com os resultados que superaram nossas expectativas.
CE: E a Cadillac é um empreendimento seu, Luku, ou de toda a Camilot's?
Luku: A Cadillac é uma sociedade minha e da Teca mas esse primeiro CD foi feito em parceria com a banda e todos ajudaram.
CE: E quais são os planos da Cadillac daqui para frente?
Luku: gravar......gravar........gravar....... (risos)
Mas a Camilot's não será a única banda lançando disco no Oitavo Ato. O Fuzzly também o fará. Tal coincidência suscita uma possível rivalidade entre as duas bandas, o que seria plausível considerando-se o ¿intercâmbio¿ entre as duas bandas mencionado a seguir. Em agosto desse ano, Luku saiu do Fuzzly, passando a se dedicar apenas à Camilot's; Daniel e Rafael saíram desta e passaram para aquela (Rafael já tocava com o Fuzzly então).
CE: Por motivos óbvios, queira ou não, o Fuzzly é lembrado quando se fala em Camilot's e vice-versa. Como se dão as relações entre as duas bandas hoje?
Luku: É difícil uma banda não lembrar a outra por causa dos integrantes, já que houve um intercâmbio. (risos)
CE: Sim, os motivos são óbvios. E levam inclusive à criação de uma rivalidade, da qual eu já ouvi falar várias vezes, de várias bocas, essa rivalidade ainda existe?
Luku: Acredito que não porque as duas bandas evoluíram com isso, cada banda seguiu seu caminho, ainda mantemos contatos com todos. Rafael, por exemplo, sempre está aqui em casa.
CE: Então, essa separação gerou uma certa competição. Foi saudável?
Mauricio: Posso responder?
Luku: Claro.
Mauricio: Bom, eu não diria saudável. Porque esse espírito de rivalidade que ficou no ar nunca é saudável. Pode ser, e acredito que realmente foi produtivo. No entanto, não acredito que rivalidade ou competição, em se tratando de música e especialmente entre amigos possa ser algo saudável. Cada um cresceu sim mas talvez poderia ter ido muito além se não tivesse ficado com esse clima no ar, entende?
CE: Entendo. E, Maurício, este clima ainda está no ar?
Mauricio: Não que eu saiba. Eu não vejo mais isso e espero que qualquer coisa que tenha sobrado dessa rusga tenha realmente acabado.
Luku: Esse clima de rivalidade é mais boato.
CE: Vocês serão agenciados pelo Cubo?
Luku: Recebemos a proposta do Cubo e decidimos aceitar. É um trabalho novo aqui em Cuiabá e gostaríamos de participar dessa nova fase.
Mauricio: Não há duvida de que a proposta é muito boa e que sairíamos perdendo ficando de fora. Será um ano de atividades, muitas atividades. O Cubo vai entrar com muita coisa, isto é, com toda a estrutura que uma agência provem para uma banda. Marketing, agendamento, produção, gravação. Bem, é uma porrada de coisas que são importantes para uma banda que pensa em crescer, em mostrar o que sabe fazer. A banda se compromete a fazer o melhor que pode, tocar muito, criar músicas novas, produzir um CD. Isso é ótimo.
CE: Se a Cadillac previa independência, esse acordo não segue no mesmo caminho. Como isso funciona?
Mauricio: Cadillac é Cadillac, Camilot's é Camilot's. Cadillac é um selo por enquanto, um selo independente para gravação de cds. Camilot's é uma banda do circuito alternativo que tem que aproveitar as melhores oportunidades para crescer.
CE: E o Oitavo Ato é uma dessas possibilidades, não?
Mauricio: Sim, é. Uma puta oportunidade, vamos tocar no mesmo palco de uma banda nacional da qual nós já tocamos covers. Isso vai ser legal, muito legal.
CE: Quais são os planos da Camilot's daqui para frente?
Mauricio: Crescer, velhinho. Estamos criando mais músicas, estamos ensaiando sempre, estamos espalhando nossos contatos. É crescer, fazer show em outras cidades, mandar as músicas para fora. Um single vai tocar em outros países: Bélgica, Argentina, Espanha, Austrália, Noruega, Canadá e EUA. Vamos ver o que dá. Vamos apostar no nosso potencial.
CE: Essas coisas com outros países, já está tudo certo?
Mauricio: Sim, são contatos pessoais que temos por lá. São em cidades desses paises citados. As rádios que vão executar o single são locais: Vancouvert, Ohio, Buenos Aires, etc.
Maurício: Bom, não faltou um encerramento glamuroso?
CE: O que você sugere?
Mauricio: A Camilot's se despede desejando que todos vocês curtam o show do Forgotten Boys e que esperem por nós às duas e meia. Fiquem atentos para a participação especial, para a música nova e é claro para as dedicações apaixonadas das músicas.
::: publicado por Pedro Acosta @ 20:07 - Comentários:
Sexta-feira, Novembro 26, 2004
Oitavo Ato - Vanguart
para as fotos, clique em Vanguart
No próximo sábado, não haverá muita gente no piloto automático. Óbvio, será um show de rock com bandas que já se provaram de rocha e só a CEMAT (e talvez nem ela) poderá impedir que eletrizante seja um dos adjetivos da noite. Mas, mais que a adrenalina do rock, haverá outros motivos para se manter desperto. É preciso ver se Lazy Moon conseguirá levar seus fãs para abrir as portas da Galeria do Pádua, o que de novo as gurias oferecerão, ver como aquele violino se sairá. Será o Revoltz tão empolgante quanto as divertidas declarações de seu vocalista? Tipumnada tem passado o tempo preparando novidades que serão reveladas no Oitavo Ato. A Strauss rezará, como há muito não faz, num templo alternativo. E, se o tema é liturgia, Camilot's e Fuzzly levarão oferendas e esperanças de aceitação. As bandas não mencionadas até aqui são todas de fora e, no sábado, terão consigo na Galeria do Pádua seus melhores "obrigado por nos receber, isto é o que oferecemos em troca".
Mas, enquanto esses grupos oferecem à cena cuiabana suas melhores novidades, um outro oferece sua melhor idade. Como num passeio calmo de trem, quem vem assistindo aos últimos shows do Vanguart pode se dar a simplesmente acompanhar o ritmo, observar a paisagem sem ter que prestar atenção especial a esta ou aquela montanha.
Cubo de Ensaio: Como anda o Vanguart?
Hélio Flanders: Feliz. Esperançoso.
Cubo de Ensaio: E de onde vêm tais felicidade e esperança?
Hélio Flanders: De nossa música e de nós mesmos. A convivência entre nós é suficiente para que tenhamos conforto e bem estar. Antes de tocarmos, parece que existe uma energia que nos move, e quando a música começa é que realmente entendemos o que é isso.
2004 tem sido o ano de existência efetiva para o Vanguart. O primeiro apanhado de músicas sob essa grife apareceu em 2002; outro disco veio em 2003. Mas, nesses tempos, era uma banda de um homem só, Hélio. Ainda em 2003, já houve dois shows multi-instrumentais e, em 2004, Flanders calcula o conjunto ter feito mais de 30 apresentações. Num círculo, tais performances trouxeram fãs que trouxeram mais chances de se apresentar que trouxeram mais fãs.
"Vejo que tem mais gente cantando as músicas, e isso é ótimo! Por outro lado, vejo que toda a cena ganhou mais público, portanto, o mérito não é apenas de uma banda. Não precisamos de rock and roll cego para mostrar violência nas canções. Meu violão estridente e as galopadas que dedilhamos em nossos shows, são mais pesados que um overdrive."
Hoje, Vanguart já chega ao fim da onda que, nos últimos meses, lhe trouxe fãs e colocou seu nome em várias rodinhas rock de Cuiabá - é um hype que vai se acabando. E, se depois de uma onda vem outra, as críticas ao grupo têm sido até gentis. Apesar de ser inegável a existência de reclamações quanto à presença constante do grupo nos eventos rock, por exemplo, ou quanto à ausência de grandes novidades no repertório, tais reclamações ainda não se inflamaram - sorte. Entretanto, se, do lado de fora, para o bem ou não, parece haver peculiar constância na música de Hélio, Júlio e Douglas, o primeiro faz questão de um "não é bem assim".
Cubo de Ensaio (ao fim da entrevista): Acho que é isso, não? Mais algum aspecto que você gostaria de abordar?
Hélio Flanders: Quero dizer que a poesia é pedra e areia. O dia em que acharmos o caminho perfeito de nossa música, sem os conflitos e sem as bifurcações, a banda acaba.
Mas há um bom tanto de acontecimentos planejados antes que isso aconteça. Diz-se que David Dafré, ex-guitarrista de várias bandas em Cuiabá, deve retornar a essa cidade levando sua "guitarra fumegante" (e seu cabelo Franz Ferdinand) ao Vanguart. A banda também tem planos de aproveitar dezembro para trabalhar suas músicas de forma que, em fevereiro de 2005, inicie as gravações do próximo disco. Para esse álbum, Hélio diz, já há 15 canções prontas e umas outras 15 quase. Ele acrescenta que o conceito para esse trabalho vem sendo pensado e que deve ser "no mínimo louco". "Após 2004, seria impossível fazer algo são."
Mas antes disso tudo, ainda há o show no Oitavo Ato, amanhã. E o que a banda reserva para sábado?
- Nossos corações. De repente, parece inoportuno perguntar se ele prepara alguma surpresa no figurino...
::: publicado por Pedro Acosta @ 08:04 - Comentários:
Quinta-feira, Novembro 25, 2004
Oitavo Ato -
A segunda banda a se apresentar na Galeria do Pádua no próximo Sábado será a Revoltz. Para saber mais sobre o conjunto, ainda pouco reconhecido pelos alternativos cuiabanos, mandei uma e-carta com perguntas, tentando traçar um perfil básico do grupo, para seu líder, o baixista e vocalista Ricardo Kudla. Entretanto, suas respostas espevitadas - como ele próprio parece ser e, com sorte, como sua banda também é - deram muito mais que um perfil básico e tornaram caducas quaisquer possibilidades de intervenção deste adido jornalístico. Assim sendo, abaixo estão, sem qualquer edição, as respostas de Kudla - na cor original, inclusive.
Quando e como a banda se formou?
Primeiro veio a luz, depois veio a REVOLTZ, hehehe.
Na real eu ( Ricardo Kudla - baixo / voz ) toco em bandas alternativas a mais de 15 anos, sou de Porto Alegre onde a cena e muito forte inspirada por bandas como Defalla, Replicantes, Cascavellheres e Graforréia Xilarmonica. Quando vim para o MT, encontreu um parceiro - Alexandre Ames ( bateria )- tambem de Porto Alegre que eu ja havia tocado nos idos anos 90 em algumas bandas.
Bom, ai rolou na hora, mesmo a gente ensaiando em estilo DRUM and BASS, ou seja apenas baixo e bateria começamos a compor ate encontrarmos a MARI (teclado / backing) e o JOJI (guitarra / alucinações).
O que vocês querem dizer com "um pé no RS e outro em SP"?
Bom, como falei acima Eu e o Ames viemos de Porto Alegre, o Joji nosso guitarrista é de São Paulo, a Mari é unica e legitima Cuiabana.
Mas o que eu me refiro nesta frase é o tipo de sonoridade que a gente faz, ou seja, algo mais calcado no rock ingles pós punk e o rock americano dos anos 60 que é tradicional na cena destes estados.
Falando em RS, o som do Revoltz lembra um pouco bandas sulistas. Essa relação procede? Vocês se identificam com aquela cena?
Bah, total cara, toquei em bandas como CRUSHERS, SPACE RAVE, MINIMAUS, bandas que detonaram e detonam ainda a cena gaucha, e isso de influência é que nem CACHAÇA, difícil de largar.
Na Trama, vocês parecem ter um visual bem-cuidado. Isso é uma preocupação especial? Se for, isso transparece nas apresentações do Revoltz?
Cara, uma banda de rock tem que dar SHOW. Não apenas ficar tocando feito um bando de molengas em cima do palco. A interatividade com o publico, aparencia e postura de palco é o que distingue uma otima banda de uma banda normal.
A gente se preocupa sim, mas sem exagero, pois nao adianta ter visual sem conteúdo.
Como são as canções do Revoltz? Você as compõe todas, Ricardo? De onde vem a inspiração? É sempre em português?
As musicas da REVOLTZ falam desta nossa relação doentia com o cotidiano da cidade, paixões, relacionamentos, drogas, enfim, tudo que gente vive intensamente e precisa colocar pra fora. Como a banda começou com 2 integrantes, me coloquei na função de criar as letras, arranjos, efeitos e defeitos especiais de quase todas as musicas, mas agora com a banda completa e super entrosada estamos compondo direto no ensaio regados a caixas de cerveja, pacotes de cigarros e kilos de drogas pesadas.
Vocês só tocam composições próprias? Ou rolam algumas versões também?
Nesta fase pré-gravação a banda só toca musicas proprias, todas em BOM PORTUGUÊS, pois este é o grande desafio. Nossa lingua é foda para compor sem ficar piegas, mas criamos nossa propria técnica, assim a coisa fui que é uma maravilha. Sempre rola versãos de classicos no rock nacional com a releitura da REVOLTZ é claro, mas isso fica só nos ensaios por enquanto.
Como é a performance ao vivo de vocês?
Vai sabado di 8 ato, chega cedo e da uma olhada.
Quem canta na banda?
Me, myself and I + a Mariana no apoio tecnico, distrutivo e histérico.
Há algo de especial preparado para o Oitavo Ato?
Ummm, há?
Vocês gostam de alguma banda em especial que vai participar do Oitavo Ato?
Gosto da Lazzy Moon e ja vi os Forgoten em POA e SP. Massa pra caralho, alem do Chuck ser gente finissima.
Vocês serão a segunda banda a se apresentar no sábado. O que acharam disso?
Supimpa, delicia cremosa, assim podemos encher a CAVEIRA para ver o resto das bandas. Massa ne?
Vocês já tocaram na Galeria do Pádua? O que acham do lugar?
Tocamos la num projeto do Pierre. Acho o lugar ducaralho, totalmente diferente de palcos pelo Brasil a fora. Tem que rolar mais projetos com equipamento melhor tb, porque a banda sempre sofre com o equipa.
Quais são os próximos planos da banda?
Gravar nosso CD ate Fevereiro, sair numa tour pelo Brasil divulgando o mesmo, estourar direto, ganhar grana, prestigio, e visibilidade, passar um tempo numa clinica de desintoxicaçao bem cara, jogar o Chorão pra fora de um avião em transito, ir para uma turne para a Europa e acabar a banda no meio de escandalos como Overdoses, Trafico de Orgãos, Pedofilia e Homicidio.
http://www.tramavirtual.com.br/revoltz
::: publicado por Pedro Acosta @ 16:36 - Comentários:
Quarta-feira, Novembro 24, 2004
O Oitavo Ato - que levará à Galeria do Pádua os Forgotten Boys e mais onze bandas - é no próximo sábado. Os ingressos já estão à venda nas lojas da CVC e na Choice Street Shop. Para soprar a favor desses ventos que trazem o Oitavo Ato, de hoje até sábado, aparecem por aqui as 12 bandas que se apresentarão no evento.
E se a boa-educação diz ladies first, o Lazy Moon será, às 20:30, a primeira banda a fazer seu show na noite de sábado. Não por simples coincidência, esta é a primeira banda também a aparecer por aqui.
Lazy Moon, na sua festa de aniversário
Oitavo Ato - Lazy Moon
Num cenário masculino e pouco fashion, o das bandas de rock cuiabanas, as meninas estilosas do Lazy Moon sempre se destacaram por, basicamente, serem meninas estilosas. Durante algum tempo, foram a única banda feminina de Cuiabá e isso lhes rendeu notoriedade peculiar. Assim, não era necessariamente sua música que lhes garantia admiradores e oportunidades de tocar em eventos. Mas, se havia essas reações positivas voltadas mais a quem elas eram que ao que elas faziam, havia também comentários pouco gentis sobre o desempenho musical da banda.
Hoje, Lazy Moon se encontra justamente numa fase de transição. Completaram há pouco tempo um ano de existência, o que - segundo sua vocalista, Sara - "não quer dizer um ano de desenvolvimento porque, se for analisar, só começamos a levar as coisas a sério de algum tempo pra cá."
A banda que se apresenta no sábado traz consigo um certo gosto de novidade, banda nova. "Nesse período de um ano, Lazy Moon passou por vários probleminhas internos. Era um que saía ali, outro que saía lá, nunca teve aquela coisa fixa. Mesmo porque a banda não era tão levada a sério por nós mesmas. Depois de um tempo de 'sumiço', voltamos com idéias novas, músicas novas, propostas novas e, logicamente, integrantes novos. Espero que dure." - continua Sara, rindo.
Considerando-se todas as mudanças pelas quais o conjunto passou, chega-se à conclusão de que a mais importante foi a saída de Roberta, quem tocava guitarra. Marcada por ser temperamental e pelas crises nervosas que costumava ter antes de seus shows, ela era uma líder para o Lazy Moon e, talvez até por isso, também centro de muitas discussões.
Sara não diz muito sobre o episódio - "Não tenho nada a dizer. Quem acompanha a banda sabe qual era a situação e, com certeza, concordam com o que foi decidido. Foi desagradável, isso foi. Mas nós precisávamos continuar... Aproveitamos pra nos empenhar ao máximo na banda porque, de uma maneira ou de outra, a Roberta era a imagem mais forte. Foi aí que começamos a trabalhar mais nas músicas, reformar e produzir."
Se a saída de Roberta marcou o início de uma época nova para a banda, a entrada de outro componente fica como símbolo desta fase contemporânea. Trata-se aqui da maior surpresa que Lazy Moon prepara para o Oitavo Ato: um violinista! Seu nome é Thomas e a idéia de ele entrar para a banda surgiu quando ela foi convidada por Maurício Rodrigues (Camilot's) a participar do Circuito de Música Adeptus, que apresenta performances não-elétricas de bandas de rock cuiabanas. Faltaria alguma coisa, o som da distorção. Aí, pensamos em ocupar esse vazio com algum outro instrumento diferente, o violino. Pensei de primeira no Thomas, ele estuda comigo há anos e teve uma educação toda clássica. Seria diferente pra ele e para nós também. Começamos a ensaiar e vimos que ficava bom com as guitarras também. Não pensamos duas vezes: o violino acabou ficando nas 3 novas musicas, junto com as guitarras e o resto. Mas ele ainda não é um membro fixo do Lazy Moon e as gurias ainda mantêm sua reputação de banda integralmente feita por meninas.
Cubo de Ensaio: Quais são os planos para a banda daqui para frente?
Sara: Temos que continuar com esse ritmo, porque queremos lançar uma demo também. Ainda temos que mudar muita coisa na imagem da banda. As pessoas não nos levam a sério. Estamos evoluindo ainda, e com essa "evolução" as pessoas vão parar de olhar pra gente como uma simples banda de meninas. Temos muito mais pra oferecer do que nome e reputação.
::: publicado por Pedro Acosta @ 06:41 - Comentários:
Quinta-feira, Novembro 11, 2004
Desde terça-feira, 09/11, este blog está de recesso. Ensaia-se uma volta para sexta-feira, 19/11. Mas a vida é mesmo uma caixinha de surpresas.
::: publicado por Pedro Acosta @ 20:11 - Comentários:
Segunda-feira, Novembro 08, 2004
Cabeça da Letra no.2
Hoje, às sete da noite, o Contingente Imigrante faz uma apresentação acústica no Shopping Três Américas (no segundo andar, em frente à Colombo), dentro do Circuito de Música Adeptus. A banda é conhecida, entre outras coisas, por suas letras de forte teor político-social. Nessa tendência, Brasileiro, pedida insistentemente no último show da banda, na Galeria do Pádua, se destaca. Abaixo, os versos da canção, que foram musicados por todo o Contingente Imigrante, acompanhados de comentário de seu letrista, o vocalista Fernando Birello.
Brasileiro
Todos da mãe da Pátria filhos,
Sustentados por um gigolô.
É sempre assim, a toda sorte,
Mais um plano que errou.
Não é demais reconhecer
Que aqui não existe perfeição,
Mas me curvar a outro idioma,
É tão pior quanto ser ladrão!
Ô, brasileiro, seu projeto de estrangeiro!
Ô, brasileiro, só te chamam pra ser pedreiro!
Um dia eu vou pra Disneylândia,
Pra gastar quanto eu quiser.
E falarei que os brasileiros
São sempre cheios de "axé"!
Um dia, eu vou subir na vida,
E assim que vier a minha vez,
Irei direto pras colunas:
- Meu grande sonho de burguês!
Ô, brasileiro, seu projeto de estrangeiro!
Ô, brasileiro, só te chamam pra ser pedreiro!
Ó pátria amada, mãe gentil,
Não vá pra puta que pariu!
E quem se há de desculpar?
Que filhos teus vão te honrar?
Se a nossa fraca esperança,
De formar uma nação,
Resiste tonta, em panfletagem,
Em prol de uma falsa revolução?
(sempre aquela falsa revolução!)
E o que esperar de novidades,
Se o marasmo é geral?!
Só no Brasil que pilantragem
É uma atitude até banal!
Até que existe valentia,
Pra expor o que é realmente mal.
Tudo resiste pouco tempo,
Pra se acabar no Carnaval!
Sobre a música "Brasileiro".
Por Fernando Birello de Lima - outro projeto de estrangeiro!
Comecei a cantarolar o refrão em 1999, estava dentro do ônibus indo pra casa, voltando da faculdade. Na época, havia um filho de um vizinho que voltara momentaneamente dos Estados Unidos, onde havia entrado ilegalmente já há alguns anos (hoje em dia ele já adquiriu o green card). Víamos em sua descrição da "América" um escancarado deslumbre com a proeminência dos dólares do Tio San, parecia que davam quase como mangas durante o verão, era só ir lá e pegar. Havia um condicionante, lógico (nada nessa vida é de graça), só haviam empregos pros imigrantes nos quais os próprios americanos preferiam não se ocupar dentro de seu império. Em suma, fazia-se tudo que americanos não se submetiam fazer, ou por não quererem, ou por serem mão-de-obra amparada por um sindicato (leia-se: CARA). Era o que sobraria pra qualquer brasileiro que fosse "fazer a América", ser pedreiro, lavador de carros, garçon... nada contra trabalhar em si, mas o fato é que não nos valorizamos e acabamos como reles mão-obra-barata "ao descanso do patrão". Escancaramos a boca cheia de dentes de satisfação já que em alguns casos, faz-se mais dinheiro limpando o chão dos americanos de que batalhando uma formação em nível superior. É, esse era (é) o país dos brasileiros.
Comecei a compor pelo refrão - Seu projeto de estrangeiro! - entendia que pra alguns (ou a maioria) de nós era melhor ser o mais estrangeiro possível, ignorando decididamente qualquer relação tupiniquin. Os exemplos dessa postura no quotidiano são diversos e ainda muito freqüentes. Veja o caso de nomes estrangeiros, por exemplo, a pronúncia do nome da banda U2 é feita como o é na língua inglesa, na Espanha, fala-se "U Dos", como se faria simplesmente em espanhol. Outro exemplo é a MTV, principal veiculadora de cultura pop relacionada à música popular, fala-se como em Inglês "Emh-Thí-Ví" ao invés de simplesmente "Eme-Tê-Vê" que seria a primeira coisa que viesse à cabeça. E isso é só um exemplo.
O contundente dramaturgo brasileiro Nélson Rodrigues tinha uma máxima que dizia que "... tínhamos complexo de Vira-lata, por isso não acreditávamos que nosso futebol pudesse rivalizar com o dos países europeus durantes as 5 primeiras copas, até que veio 1958...", hoje sabemos que somos os melhores do mundo, mas continuamos perdendo algumas decisões importantes muito por conta de nossos próprios deméritos.
No livro "Macunaíma - o herói sem nenhum caráter", o escritor Mário de Andrade descreve a trajetória de Macunaíma, o tal "herói sem nenhum caráter", preguiçoso, indolente e malicioso, que descobre uma fonte dos desejos no meio da floresta, na qual banhando-se, torna-se "branco", como que se "limpasse a sua cor preta". A tal fonte na verdade é uma metáfora que expõe a situação ridícula de brasileiros que davam (ou dão?) as costas pra suas próprias raízes caboclas, como que se transmutassem em indivíduos caucasianos e civilizados, usando para isso qualquer artifício válido, seja adquirindo status de "intelectualizado" ou sendo simplesmente um "afetado", às vezes disfarçando mal o próprio sotaque. Digo isso de experiência própria, já que durantes muitos anos, mesmo quando terminei de compor essa música, reneguei minha ascendência Pernambucana por parte de pai em razão do sobrenome italiano de minha mãe, já que existe certo preconceito com a condição de existência do nordestino em nosso país, assim sendo ou não sendo, eu não conseguia acreditar na exclamação de Euclides da Cunha de que "o sertanejo é, acima de tudo, um forte!". Preferia ser o Italiano, o europeu, o civilizado, o branco, até descobrir que na verdade "morria de preguiça", como todo bom Macunaíma que se preze.
A outra parte da letra expõe a nossa acomodação em relação à nossa ingênua democracia, não sabemos ainda pra onde ir, temos certo temor das mudanças, mesmo já sabendo o que o POVO brasileiro almeja de verdade. Preferirmos nos acabar no carnaval ao invés de irmos à luta. E esse é o Brasileiro, ainda um pedreiro de sua própria condição de nação. Ô, brasileiro!
A música em si é um punk rock básico, poucos acordes, harmonia simples, batida acelerada, vocal mais gritado do que cantado, tendo uma interrupção na velocidade que funciona como um espécie de "momento de reflexão" idealizado pelo Shanel, pra logo depois descambar na pauleira. O solo de guitarra feito pelo Ankh tem uma história interessante, quando compúnhamos os tempos da música, comentei com ele de tentarmos alguma coisa solada com toques em duas cordas ao mesmo tempo, como fazem os tocadores de viola, na tentativa de agregar mais uma referência ao Brasileiro em si, mas sem soar descaradamente parecido. A música era rock e não podia fugir disso. E assim ele chegou ao resultado que hoje se executa nas apresentações, do qual gostei muito. Outra coisa que gosto na parte musical é "a paulada nos tambores" que o Buiú faz na entrada e final dos refrões, chamando os "Tambores de África". Esse é o Contingente...
::: publicado por Pedro Acosta @ 17:06 - Comentários:
Sábado, Novembro 06, 2004
Jazz + Brasil
Estreou na noite de ontem, sexta-feira 5 de novembro, o show Jazz Brasil no Teatro do SESC Arsenal. Esse show é o encontro de três grandes músicos cuiabanos: o guitarrista Sidnei Duarte junta-se ao baterista Sandro Souza e ao contrabaixista Ebinho Cardoso. Esses dois últimos, sobretudo, já são velhos conhecidos até do circuito musical alternativo cuiabano por fazerem parte de uma banda referencial em Mato Grosso, o Abagaba.
Há uma série de coisas impressionantes sobre esse grupo. A primeira delas é seu tempo de carreira. Numa seara difícil, a cultura mato-grossense, e numa área ainda mais complicada, o meio artístico com seus constantes choques de ego, é de se espantar que um conjunto musical perdure por dez anos, caso do Abagaba. Some-se a isso o talento individual dos integrantes, sua dedicação ao aprimorar-se e sua versatilidade e ter-se-á uma banda que, além de ser apontada por qualquer músico daqui como exemplo maior de qualidade técnica, passeia por desde um cenário mais tradicional, como acompanhar cantoras de MPB (Elas em 3X4), até uns mais improváveis, como levar música puramente instrumental e com fortes influências de jazz a jovens maloqueiros num congresso de Engenharia Florestal na UFMT.
É justamente nesse último caminho, divulgar o instrumental e o jazz, que o espetáculo desta noite (fechando temporada de dois dias) vai. E nesse sentido, o que aconteceu na manhã de hoje foi notável: em divulgação ao Jazz Brasil, a TV Centro América enviou reportagem ao SESC Arsenal e, de lá, fez-se transmissão ao vivo para o telejornal MTTV. Assim, quem via televisão nesse sábado lento e cinzento teve sua sala invadida por Blues For Alice logo às 11 horas. Ebinho, Sidnei e Sandro também tocaram trechos de canções de Hermeto Pascoal e Tom Jobim, sempre tentando atender aos pedidos que vinham da direção central da emissora - notadamente pouco acostumada a situações como aquela - via rádio: "toca uma mais animada"; "toca uma mais conhecida".
Entremeando a música, o repórter Mário Marins fez perguntas aos três. Nessa conversa, revelou-se um pouco dos músicos e de seu show. Com Sidnei portando-voz, citaram o Tom Choppin, às segundas, como um lugar de jazz em Cuiabá, afirmaram que o estilo, o qual vem crescendo por aqui, requer certo esforço e prática e não é uma fórmula restrita e sim uma linguagem aplicável a variados ritmos. E essa é a promessa do grupo, já expressa no nome do show: misturar, sem radicalismos, uma língua tradicionalmente norte-americana a vários dos nossos dialetos rítmicos. É pagar pra ver: o ingresso está sendo vendido no próprio SESC Arsenal e custa R$:10 ou R$:5 (para estudantes, associados ao SESC e afins) - a apresentação está marcada para às 9 e convém não atrasar (desenvolvamos no Brasil uma cultura de pontualidade): as portas do teatro do Arsenal são trancadas após o início de qualquer espetáculo e, baseando-se nos números de ontem, há boas expectativas de público.
Assim como há boas expectativas para o jazz e a música instrumental em Mato Grosso. A primeira notícia agradável foi a disposição de duas músicas de Ebinho Cardoso na Trama Virtual, com a própria destacando-o; agora, começa o Jazz Brasil que, rezam as intenções de seus participantes, deve continuar como um projeto, incluindo novos artistas; mais, já está sendo gravado o primeiro CD do Abagaba. Quem é que vai criticar essa cena?
::: publicado por Pedro Acosta @ 18:01 - Comentários:
Segunda-feira, Novembro 01, 2004
Mistura Rock, na Galeria do Pádua
Como passar um fim-de-semana sem show de rock? Pelo menos nesse último, os alternativos cuiabanos não precisaram pensar nisso. Nem mesmo os não-alternativos (?) tiveram esse problema. Na sexta-feira, dia 29 de outubro, aconteceu em Cuiabá um show do Rappa. A banda, que se destaca no cenário nacional por levar consciência social e rock não-pasteurizado às rádios e afins, atraiu milhares de pessoas ao estacionamento da UniC, cada uma delas pagando nada menos que 20 reais. 
Por um quarto desse preço, aproximadamente 250 pagantes foram à Galeria do Pádua no sábado (30) para a Mistura Rock, festa que reuniu três bandas novas na cena cuiabana mais outra, veterana: respectivamente, Malaguetas, Sedna, Mechanic Vision e Contingente Imigrante. A primeira é uma banda cover dos Red Hot Chili Peppers. As duas próximas, bandas de metal. E a quarta, banda de rock alternativo com fortes influências oitentistas.
O evento foi organizado por dois membros de bandas participantes: Leôncio, guitarrista do Mechanic Vision e Carlos Augusto, doravante chamado de Buiú, baterista do Contingente Imigrante. Durante a semana, o primeiro deles sofreu duras críticas por parte de Pablo Capilé, no Blog do Espaço Cubo. Tal episódio serviu para jogar luz num dos aspectos menos brandos da Mistura: tratou-se de um evento de descontentes com o Cubo.
Assim sendo, de início, houve certa tensão para a confecção desta matéria, mas tudo logo se resolveu: ficou apenas um certo tom velado de crítica em algumas declarações dos organizadores - acertada e civilizadamente, eles preferiram não fazer declarações diretas sobre ou ao Espaço Cubo. 
Sobre o fato de ter que se lançar a organizar um evento para que sua banda possa tocar, Leôncio disse que, por mais trabalhoso que seja, essa opção acabou se provando a mais conveniente. Mais: Algumas bandas têm medo de que outras, novas venham para tomar seus lugares. Há um certo preconceito contra gente que faz música mais elaborada, que é mais exigente, sempre pensam que esse pessoal é estrela e que veio para roubar lugar. Essa festa é para provar o contrário: a idéia é democracia com qualidade, seja música simples ou não, o que importa é ter uma postura profissional. Ainda dentro desse raciocínio, Buiú disse que ficam as esperanças de que venham muitas outras festas como essa, contra a segregação e a favor da democracia e da variedade.
Essa variedade pôde sim ser vista no público, composto por faixas etárias razoavelmente diferentes, e grupos idem: desde figuras de bandas do alternativo cuiabano até os tradicionais metaleiros-vestidos-de-preto. Mas a heterogeneidade da platéia não garantiu recepção calorosa à primeira banda da noite, os Malaguetas. Apesar da performance sincera do vocalista, do baixo preciso e funk e da coesão da banda ao fazer versões fiéis às da sua matriz, os Red Hot Chili Peppers, os espectadores mantiveram-se afastados do palco e, em grande parte, demonstradamente ansiosos pelo metal.
Este só veio com a segunda banda da noite, o Sedna, que, com uma combinação infalível de boa-hora, vigor e clássicos no repertório conquistou os presentes. 
A noite seguiu com o Contingente Imigrante. A banda, com mais de cinco anos de formação, levou ao Pádua um repertório de canções próprias e versões de outras bandas (como Camisa de Vênus, Capital Inicial e Plebe Rude), sempre sob o signo dos anos 80, com riffs marcantes de guitarra, ritmo empolgante e influência punk. Essa mistura levou um grupo de pessoas à frente do palco. Estavam já em menor número que na hora do Sedna mas, engajados, cantavam junto e ensaiavam toda sorte de passinhos de dança. O vocalista Fernando Birello capitaneava, com suor e energia, o que acabou se transformando na festinha do Contingente - banda e platéia se misturando. Mantendo sua linha política, a banda providenciou algumas cópias da letra de Brasileiro - carro-chefe do CI, escrita por Fernando - para a platéia. Aqui vai o refrão:
Ô, brasileiro, seu projeto de estrangeiro!
Ô, brasileiro, só te chamam pra ser pedreiro!
A quarta e última banda na Mistura foi o Mechanic Vision, grupo de metal progressivo liderado por Leôncio. A apresentação aconteceu já depois dàs 3 da manhã, quando sobravam na Galeria já poucos animados. O combinado se apresentou sem seu tecladista, num horário desfavorável. Todos vestidos de preto, tiveram performance competente, sobretudo no quesito 'solos virtuosos', mas não houve simbiose palco-platéia.
Após o Mechanic Vision, a festa terminou aproximadamente às 4 da manhã, umas cinco horas depois de seu início. Ficou uma boa impressão. O público de 250 pagantes não é numericamente extraordinário, mas foi suficiente para encher o quintal da Galeria do Pádua. O som, claro e potente, foi quesito elogiado por muitos. Resta agora saber se o Mistura Rock conseguirá passar de uma festa massa de rock que aconteceu sábado passado para algo mais sólido e constante. Afinal, Cuiabá é carente de todo tipo de evento cultural e, é óbvio a todos (pró-Cubo ou anti-Cubo), que uma única produtora não pode sustentar integralmente a cena rock de uma cidade como tem, com raras exceções, acontecido (a última apresentação do Contingente Imigrante antes de sábado, por exemplo, havia sido no Sexto Ato, dois meses atrás). Mas, se o sucesso de um projeto de longa duração partindo do Mistura Rock ainda é dubitável, o da noite de sábado já é confirmado: sem grandes falhas na organização, o evento jogou novos ingredientes no misturado que é a cena cuiabana: tomara que não se dissolvam.
::: publicado por Pedro Acosta @ 14:59 - Comentários:
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